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"Voadois - A nova revelação da Bahia! "
1 - Lília Araújo (Portal sambando.com) - A banda voa dois surgiu a pouco mais de um ano e, após o carnaval 2008 o nome Voadois passou a ser sinônimo de novidade e sucesso. Quando a gente fala em Voadois, par ao Brasil inteiro, as pessoas tem a curiosidade de saber quem é esta banda que agita tanto a galera.
Como surgiu a banda Voadois?
Katê - Primeiro eu quero mandar um alo para a galera do sambando.com, dizer que eu já conheço o Luciano (diretor do sambando) e este
site a um tempo e é um prazer muito grande estar fazendo esta entrevista.
O Voadois tem pouco menos de dois anos de carreira. Nós montamos a banda, somos todos de Salvador, nossa produtora também e eles tinham uma idéia de montar uma banda com dois artistas cantando simultâneamente, que é uma coisa que não existe no meio artístico baiano, e eles montaram este projeto.
Começamos a fazer ensaios, porque não sabíamos como seria a divisão no canto, como seriam as músicas. Era uma novidade também para a gente, porque eu e Fredd tínhamos uma carreira antes do Voadois, e não cantávamos com ninguém e nem imaginávamos que um dia fossemos cantar com alguém.
Fredd: Foi um projeto bastante inovador, um desafio tanto para nossa produtora, quanto para nos dois. Como a Katê falou, você cantar em dupla, não é fácil, principalmente quando se trata de um homem e uma mulher, os timbres são diferentes, as regiões para se cantar são diferentes, a gente não sai do palco em nenhum momento, a nossa busca é ter qualidade no trabalho e ao mesmo tempo não perder esta questão da região em que um e outro canta. então a gente pega assim, algumas versões, quando forem mais altas, a Katê canta, quando acabou o início da música eu vou mais baixo, Freddinho vai fazendo, a gente vai administrando assim. A vontade da gente é de não sair do palco em nenhum momento. A gente não canta separado. É o tempo inteiro junto: seja trio elétrico, seja palco, a gente está sempre junto.
2 - Lília Araújo (Portal sambando.com) - O primeiro show de vocês aconteceu no interior da Bahia e de cara já conquistou muita gente. Como foi este primeiro encontro?
Katê: Depois que a gente montou o projeto todo no studio, a gente foi para estrada. Começamos a fazer interior da Bahia, algumas cidades pelo nordeste. O mais legal do Voadois, é que a recepção do público foi sempre muito bacana em qualquer lugar que a gente fosse. O Público adorava, o contratante também e a gente logo logo voltava. Então a agenda de shows foi crescendo, e o Voadois começou a tocar em um monte de lugares pelo nordeste, antes do carnaval, começamos a fazer ensaio em Salvador, o ensaio foi um sucesso, a galera recebeu com muito carinho o nosso trabalho. No carnaval foi a consagração, podemos dizer assim, da nossa carreira, logo depois também nos prêmios do Troféu Dodô e Osmar, e tamos aí pegando a estrada para o Brasil como você disse né. É uma novidade no Brasil, as pessoas não conhecem ainda, assinamos contrato com a Universal, começamos a andar pelo Brasil, fomos a São Paulo fazer televisão, e aí vai só sucesso com fé em Deus!(risos)
3 - Lília Araújo (Portal sambando.com) - Vocês dois tinham uma carreira individual antes do Voadois. Você Katê, a gente já conhecia um pouquinho do seu trabalho, pelo contato que você tinha com o Luciano, e você Fredd, qual era a sua trajetória antes do Voadois?
Fredd: Rapaz, assim, eu sempre fui encantado pela música. Desde pequeno, a gente ouvia boas coisas lá em casa. Meu pai sempre foi admirador da Bossa Nova, da MPB, então a gente sempre ouvia muitos discos nos finais de semana. A nossa família é muito unida, muito próxima então sempre rolava umas festas, umas coisas bacanas. Ao mesmo tempo, eu sou aficcionado pela música baiana, pelo trio elétrico, é uma coisa que me chama a atenção mesmo! Eu gosto! Sou muito feliz com o que eu faço. Cresci também ouvindo os artista baianos. Meu pai me colocou para fazer aula de piano clássico, eu fiz teclado e comecei a cantar. Eu trabalhei, fiz alguns anos na noite. Passei por aquele caminho que a grande parte destes nomes todos que fazem a música brasileira passaram, que é trabalhar quatro, cinco horas por noite, tipo quarta, quinta, sexta, sábado e domingo. E ainda trabalhava em restaurante, fazia voz e violão no almoço. Eu trabalhava em um hotel na Costa do Sauípe. E era muito bacana para mim, porque foi uma escola das boas mesmo! A noite ela te dá a oportunidade de experimentar tudo, tocar todos os tipos de música, de segmentos musicais, porque você precisa agradar a todo mundo. As vezes você pega duas mesas com quatro pessoas, e as vezes você pega um lugar com 150 pessoas. Então isso foi me ensinando a lidar com este lance muita gente, pouca gente como aquele povo está reagindo. As vezes eu estava ali emocionado cantando Eliz Regina, de olhos fechados e o cara bate no meu ombro e fala "Toque um forró rapaz!" (risos). Então você vai aprendendo. Tive a oportunidade de trabalhar como backing vocal com Netinho, um ano e também com a banda Cheiro de Amor eu também trabalhei, para mim isso também foi uma escola danada, porque eu sempre fui muito atento as coisas: eu acabava observando os outros artistas, como eles se comportavam, no trio, como eles se comportavam com as massas, então tudo isso me trouxe experiência. Hoje estando no Voadois, como isso é importante para mim: trazer a experiência do que você via, do que você ouvia, eu gostava muito de ouvir o Netinho dando entrevistas, gravando as chamadas, Cheiro de Amor também, então eu ficava sempre ligado em tudo. Morei nos Estados Unidos, fui estudar canto em inglês, o que para mim foi uma experiência ímpar participar de Corais, coros de Igrejas, que é uma galera com vozes fantásticas e eu ali, no meio deles aprendendo, só sugando as coisas.(risos) Foi muito bacana, tiveram algumas coisas boas na minha vida, que eu estou podendo trazer para o trabalho do Voadois.
Katê: Eu tenho 23 anos, comecei novinha, logo, logo, montei uma banda de axé. Eu já sabia que eu queria cantar axé, eu amo axé. Nasci na Bahia, cresci ouvindo né (risos). Então eu montei uma banda de axé, Luciano sabe disso, eu ficava no orkut procurando radialistas do Brasil, procurando meios de divulgação aí eu achava adicionava no msn e dizia "olha eu tenho aqui uma banda, ouça aí minha música". E mandava. Mandei músicas para ele, fotos (risos). Então eu ia divulgando tentando fechar shows, nesta luta! Fiz poucos shows, acho que foi uns seis shows. Fiz algumas vezes barzinhos em shopping, logo depois fui convidada para este trabalho com o Voadois. Praticamente a minha carreira assim, eu aprendi e continuo aprendendo bastante no Voadois. É onde eu venho amadurecendo bem, a gente amadurece na estrada e com a quantidade de show que o Voadois vem tendo me dá experiência.
4 - Lília Araújo (Portal sambando.com) - A Voadois é uma banda que diferente de muitas, deu certo logo de cara. São apenas dois anos e meio e vocês já se tornaram sucesso. Quando foi feita esta proposta inovadora de cantarem juntos, o que passou pela cabeça de vocês?
Fredd: Na verdade é um sonho meu cantar, é um sonho de Katê cantar. A gente não esperava cantar em dupla porque eu tinha o meu trabalho, ela tinha o trabalho dela, a gente não se conhecia, então veio a proposta deles e, apesar de todos anos surgirem coisas novas na Bahia, eu digo a você que não é fácil. Eu mesmo já dei com a cara na porta várias vezes, porque eu nunca tive dinheiro para gravar um cd. Então eu chegava nas portas e falava: " Me dá uma chance aí deixa eu cantar..." Pra tocar em barzinho foi assim, para ir lá na produtora do Voadois, eu consegui gravar uma música para ir lá e levar para eles, eu não tinha um produtor. Então é difícil você tentar um trabalho independente. Para o trabalho dar certo, é muito importante que você tenha o alicerce. Alicerce com o seu empresário, desenvolvendo um trabalho de qualidade com uma galera que esteja focada mesmo em vencer, em crescer junto. Todo mundo tem a sua parcela de contribuição. A imprensa tem, a gente com a nossa dedicação, eu digo sempre que dou o meu sangue pelo meu trabalho, seja no Voadois ou onde for, eu sempre fui dedicado, muito focado. Hoje se o trabalho do Voadois está dando certo, mesmo que a gente não imaginasse que ia cantar em dupla, eu digo a você que eu estou muito feliz e satisfeito porque a gente se completa bastante.
5 - Lília Araújo (Portal sambando.com -Vocês tem timbres diferentes, e um jeito diferente. Como vocês conseguem ter um entrosamento tão perfeito no palco? E como é a relação de vocês, fora do palco?
Fredd: Nós sempre comentamos isso: ela tem a forma dela de lidar com o trabalho, eu tenho a minha e a gente se mistura. As vezes nós somos tão diferentes mas muitas vezes nós somos tão iguais! E isso é muito bacana no palco né loira (dirigindo-se a Katê). As vezes a gente assim, no auge da emoção, fala a mesma coisa, a mesma frase! Então quer dizer, é sintonia, é carinho, é amor! A gente se dá muito bem. Acho que isso é muito importante. Diferente do que as pessoas pensam, que pode existir disputa, graças a Deus nossa afinidade é muito grande e nós estávamos até conversando sobre isso hoje no avião. A gente se abraça, se beija, brinca, é muito bom (risos). Então este desafio para mim tá bacana, estamos felizes conquistando o nosso espaço e nós vamos chegar lá!
Katê: O que é mais encantador de ver assim, é a resposta do público. As pessoas ficam encantadas, pelo lance de ser um casal, a gente fica pulando, agitando o tempo inteiro, elas ficam contagiadas com aquilo. Graças a Deus o Voadois deu certo. Algumas pessoas as vezes dizem: deu certo porque a produtora é forte! Mas não! Deu certo porque o povo, aceitou o Voadois. Porque é o povo que diz se é forte ou não. Então a gente teve a preocupação de mostrar o nosso trabalho. Logo no início da carreira já gravamos o primeiro cd de carreira, tanto que a Universal assinou com a gente, e manteve o cd, não mudou. Então a gente teve esta preocupação no cd, nas músicas, por isso também que agradou.
6 - Lília Araújo (Portal sambando.com) - O carnaval é marcante para qualquer artista. E para vocês realmente foi um momento especial. Ali, em cima do trio, no Carnaval de Salvador, qual foi o momento em que vocês mais se emocionaram? Vocês tiveram a oportunidade inclusive de cantar com Daniela Mercury. Tem como descrever este momento?
Katê: Eu sempre desejei cantar no carnaval de Salvador, e este foi o meu primeiro carnaval,Então um dos momentos mais emocionantes foi no primeiro dia de carnaval na saída do Farol da Barra, porque diversas vezes eu passava por ali e dizia: "Ai meu Deus, um dia o trio vai virar aqui e eu vou estar lá em cima, cantando no carnaval de Salvador. Então, quando o trio começou a andar, que eu olhei para baixo e vi um monte de amigas minhas com faixas, aquela multidão cantando a nossa música, eu fiquei muito emocionada. Comecei a chorar, pensei que não fosse me controlar e as pessoas em cima do trio falando "calma Katê, calma Katê"... Mas deu tudo certo, a alegria tomou conta, o choro parou e foi só animação até o final. Mas este para mim foi o momento mais emocionante. Além do momento em que a gente cantou com Daniela. Foi muito legal porque eu comecei a admirar o axé através principalmente dela.
7 - Lília Araújo (Portal sambando.com) - Outro momento marcante para o Voadois foi o Troféu Dodo e Osmar. A banda foi agraciada de receber a premiação em três categorias incluindo Banda Revelação. Como foi este momento para vocês?
Fredd: A gente ficou bastante feliz. Só o fato da indicação para gente já era algo para gente muito importante. eu sempre sonhei em estar em cima do trio elétrico no carnaval de Salvador. As vezes eu passava com uma amiga minha pela Avenida, de madrugada, até falei isso na Avenida, eu passava lá de madrugada e não tinha ninguém, não tinha nada . E eu só passava lá pela rua dirigindo e ela falava: " vai olha do lado direito, dá tchau para a Band, tá do lado de cá, agora faz isso..." e eu ficava fantasiando aquilo. Quando você vem, depois do carnaval concretizado mesmo, aquela coisa aconteceu, caiu a ficha e você é indicado para o premio mais importante da música baiana, que é o Troféu Dodô e Osmar, que é uma indicação por voto popular, e isso é o mais importante, como Katê falou, não adianta você ter tudo, se o povo não lhe elegeu. Então é gratificante você ver, que a galera curte o nosso trabalho. Então como o troféu Dodô e Osmar é um premio em que os vencedores são escolhidos por voto popular, analizado pelo IBOPE que tem muita credibilidade, isso me deixou muito emocionado. Quando disseram " Banda Voadois como banda Revelação" eu e ela abraçados, a gente não saía do lugar. Aí o apresentador falou assim: " O rapaz, pode vir abraçar aqui em cima do palco! Vai ficar aí no meio do povo!" (risos) Então eu sempre sonhei em estar ali, naquela área reservada, no meio de um monte de artistas. Eu e Katê já tinhamos ido dois anos antes. Só que a gente ficou lá em cima, no meio do povo, e a gente ficava "é, quem sabe um dia a gente vai estar lá em baixo também..." E nós fomos como indicados, chamaram como banda revelação eu não acreditei, chamaram como cantor revelação eu não acreditei, foi muito emocionante, para ela também como cantora revelação, ela vibrando por mim, eu vibrando por ela, a gente vibrando pela banda, a equipe vibrando por nós, para mim foi um trabalho fantástico! eu não sou o único responsável por este prêmio, nem ela, a banda Voadois também é responsável porque os meninos são muito competentes, muito dedicados, a equipe técnica, a produção, enfim, tudo funcionou para que desse certo, foi emocionante.
Katê: outro presente que eu ganhei no dia do troféu foi Ivete ter me convidado para cantar com ela. Porque eu sou fã, adoro demais ela, o trabalho dela e quando ela estava no meio da canção, ela falou: "Katê você quer cantar comigo?" eu não acreditei, depois de já ter ganho todos os prêmios foi assim, só felicidade
8 - Lília Araújo (Portal sambando.com) - Depois desta consagração no carnaval de Salvador reafirmada pelo recebimento do Troféu Dodô e Osmar vocês realmente decolaram para o sucesso. O que vocês preparam para o próximo semestre?
Fredd: Eu acho que a tônica do nosso trabalho é a alegria, é a responsabilidade, é a gente estar vindo com o nosso diferencial que é a dupla, então a gente vai estar trabalhando bastante para reproduzir o que a gente fez no carnaval, reproduzir o que a gente fez nos ensaios, no nordeste que já conhece o nosso trabalho, agora São Paulo e Rio de Janeiro, Floripa, Manaus, eu fico brincando, inclusive eu coloquei até no meu blog, que nós estamos jogando o "Ó", e todo dia conquistando um território. A gente tá feliz pra caramba, sem pressa, com os pés no chão.
Katê: A gente vai continuar fazendo o que a gente fez desde o início do Voadois, se preocupando com um repertório bacana, montando um show legal, escolhendo músicas bacanas para o nosso repertório, para o nosso cd, e aí as pessoas vão gostando, admirando o nosso trabalho e tudo vai dando certo.
Agradecimentos : À Katê e Fredd juntamente com toda a sua equipe de músicos e produtores pelo belíssimo e inovador trabalho que realizam e que só enriquece a música baiana. Parabéns e que o sucesso desta banda de axé se multiplique mais e mais a cada dia. A todos vocês o nosso muito obrigado!!
Equipe do Portal sambando.com
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